Lendas de Porto Murtinho

 

Se você for ao Pantanal, cuidado com o Mala Vision!

 

Talvez por ser região de fronteira, Porto Murtinho acumula uma extensa lista de contos e lendas, personagens do imaginário da população, que mesmo com o passar de anos continuam fortes na cultura local. Estórias de seres bizarros que assustam crianças e deixam os adultos duvidosos quanto à veracidade.

Dentre todos os seres que “habitam” a região o mais famoso e temido é o Mala Vision. Diz a lenda que Mala Vision é uma alma perturbada que não conseguiu salvação. Vaga por lugares desertos e matas a procura de uma vítima, pois só com outra morte conseguirá descanso.

Em 2002, então com 13 anos, o estudante João Francisco Bitancourt, narrou para o informativo ‘Ecologia em Notícias’ a aparência do monstro e formas para despistá-lo: “Dizem que ele é uma pessoa de três metros de altura. Chupa a carne das pessoas pelos pés e pelos dedos. Para detê-lo, você tem de ficar atrás de uma cerca ou encruzilhada. Para chamar a atenção ele grita. Parece que está muito longe, mas está mais perto do que você imagina. Ele aparece também quando começa a ventar muito, mas muito forte”. Na época, João Francisco enviou um desenho com a aparência do bicho.

O professor Cleber Fábio Figueiredo faz um relato estória que sempre ouvia de seu avô Ramão Centurion Minho, de um caso que ocorreu por volta de 1912. “Certa vez um grupo de seis peões saiu em comitiva, da qual Ramão participava, para levar 2 mil cabeças de gado. A comitiva resolveu acampar a 15 quilômetros antes de Ponto Primavera, povoado de Porto Murtinho. Após piquetarem o gado, resolveram dar um pulo no povoado para fazer uma farra. No acampamento ficaram apenas o cozinheiro Luiz Paim, e um peão. Quando ficaram sozinhos escutaram um grito desesperador. Segundo a lenda não pode responder ao grito de Mala Vision, senão ele se aproxima da vítima. O peão desavisado, respondeu ao grito e foi correspondido pelo Mala Vision. No terceiro grito apareceu para os homens uma criatura com trejeitos humanos, porém com cara de porco-do-mato e unhas grandes e afiadas. Sem tempo para fugir, o peão foi agarrado pela cintura, teve seus ossos quebrados e foi sugado por inteiro pela criatura. O cozinheiro conseguiu fugir, mas teve a perna arrancada pelo bicho ao passar por uma cerca de arame farpado. Ele só conseguiu escapar porque o Mala Vision não cruza cercas, rios ou locais onde se forma a cruz. O sobrevivente relatou o fato para os demais e até hoje, quase um século depois, perpetua em Porto Murtinho.

Fontes: Porto Murtinho: História, Gente e Tradição; Ecologia em Notícias: Ano VI- ed 332 – 22/08/2002





 
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