15/08/2007 - 16:01
Herbário: uma biblioteca de plantas
| Foto: Yara Medeiros |
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As plantas são prensadas, identificadas e armazenadas. |
Desde a Grécia Antiga, as plantas são identificadas, o filósofo Aristóteles é considerado o primeiro biólogo do mundo, apesar dessa terminologia nem existir nesta época. Aristóteles criou o sistema de catalogação das plantas em famílias e espécies e, ao longo da história da humanidade, as técnicas foram sendo aperfeiçoadas. Mais adiante, na época das grandes expedições para descoberta de novos continentes, todo o navio levava em sua tripulação uma pessoa responsável por recolher informações das espécies encontradas. Normalmente, eram botânicos desenhistas, que observavam as plantas e reproduziam suas aparências em desenhos. Assim, foi sendo construído o conhecimento sobre a vegetação de todo o mundo.
Com a finalidade de fazer a identificação botânica das espécies da região da Bacia do Apa foi realizado um levantamento florístico nos municípios brasileiros de Antônio João, Bela Vista, Caracol e Porto Murtinho pelo projeto Pé na Água. Foram escolhidas três áreas de preservação permanente às margens do Apa e de afluentes. As espécies catalogadas ficarão armazenadas no herbário da Embrapa Gado de Corte em Campo Grande.
Atualmente, existem milhares de locais que armazenam as plantas coletadas e identificadas no planeta. São chamados de herbários, funcionam como uma biblioteca de espécies vegetais, onde ficam guardadas coleções de plantas secas, prensadas e identificadas, destacando a localização em que foi coletada e suas características científicas (foto). As técnicas empregadas nos herbários como armários de aço vedados, naftalina e cânfora que permitem que as plantas sejam preservadas por centenas de anos, pois os maiores inimigos do herbário são os pequenos insetos (besouros e traças) que destroem as flores secas.
Existe um trabalho de cooperação entre os botânicos, profissionais que se dedicam a esta arte, pois há especialistas para cada família botânica. Eles são consultados para ajudar na identificação e para verificar se a espécie já havia sido descrita pela ciência ou se nunca havia sido coletada. Se isto ocorrer, a planta é considerada uma nova espécie e o pesquisador que a encontrou deve batizá-la com um sobrenome, pois seu primeiro nome é o do gênero do qual faz parte. Cada nome apesar de parecer muito diferente tem uma história como a
Arrabidae florida, que está quase sempre com flores.
Não são apenas os biólogos responsáveis por esses nomes, o conhecimento popular ajuda nesse batismo. Muitas vezes quem vive na região já conhece a planta pelo seu nome popular, como é o caso da bocaiúva, que na Bolívia é chamada de “totai”. Os pesquisadores que a descreveram deram seu nome científico de
Acrocomia totai, que atualmente é sinônimo de
Acrocomia aculeata (acúleo significa espinho, por isso o nome devido aos espinhos no caule da palmeira).
Fonte: Yara Medeiros - Projeto Pé na Água